O par GBP/USD voltou a se reverter em favor do dólar americano assim que os preços do petróleo retomaram a alta e a situação no Oriente Médio se aproximou de uma nova escalada. Apesar de Donald Trump já ter adiado duas vezes o prazo para ataques a instalações energéticas iranianas e falar quase diariamente sobre negociações com as "pessoas certas" no Irã, o país continua bloqueando o Estreito de Ormuz, atacando navios-tanque que tentam atravessá-lo e não demonstra disposição para negociar com Washington. Assim, nas condições atuais, os traders tendem a assumir que o conflito no Oriente Médio é sério e de longa duração.

Washington, para ser justo, demonstra vontade de encerrar a guerra, mas em seus próprios termos e à sua maneira. Ao longo de toda a semana, Donald Trump tem apresentado a situação como se o adversário estivesse implorando por paz, enquanto Washington estaria disposto a responder favoravelmente — porém apenas mediante o cumprimento de várias condições (cerca de 15, para ser preciso). De fora, a impressão é clara: vamos encerrar a guerra que iniciámos — aqui está a lista de ultimatos.
O Irã compreende o que um "cessar-fogo ao estilo Trump" implicaria e, por isso, recusa qualquer negociação, apesar das propostas de levantamento de sanções em troca do abandono do programa nuclear. Teerã está preparado para continuar a bloquear o Estreito de Ormuz, e esse é, atualmente, o fator mais relevante para os mercados. Assim, o pano de fundo geopolítico permanece mais negativo do que positivo. Como consequência, o potencial de valorização da libra é limitado. Ao mesmo tempo, o pano de fundo econômico que poderia sustentar a moeda britânica continua a ser ignorado pelos traders.
A probabilidade de novas quedas em ambos os pares permanece elevada, e quaisquer discussões sobre um possível movimento de alta, neste momento, não passam de suposições sem confirmação ou evidência. Atualmente, não há padrões — nem novos nem antigos. Os dois últimos desequilíbrios podem ser considerados concluídos, invalidados e já irrelevantes. Hoje, pode ocorrer uma varredura de liquidez na mínima de 13 de março, juntamente com a formação de um novo desequilíbrio baixista. Ambos os cenários podem se concretizar simultaneamente.
A tendência de alta da libra permanece intacta. Enquanto se mantiver acima do nível de 1,3012, deve-se dar maior atenção aos sinais de alta. No entanto, no momento, não há padrões ou sinais altistas, e a geopolítica continua a favorecer a pressão vendedora.
O pano de fundo informativo na segunda-feira foi praticamente inexistente, com exceção de uma nova série de declarações de Trump. Ainda assim, a queda da libra não cessou. O mercado parece preparar-se para uma nova escalada no Oriente Médio.
Nos Estados Unidos, o panorama informativo geral sugere que, no longo prazo, pouco se deve esperar além de fraqueza do dólar. Mesmo o conflito entre Irã e EUA altera pouco essa perspetiva. A moeda americana enfrenta um cenário desafiador no longo prazo e favorável apenas no curto prazo. O mercado de trabalho continua a enfraquecer, a economia aproxima-se de uma recessão, o Federal Reserve — ao contrário do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra — não sinaliza novo aperto monetário, e, no último fim de semana, ocorreu a quarta grande onda de protestos contra Trump em todo o país. Do ponto de vista econômico, não há fundamentos sólidos para uma valorização sustentada do dólar.
Uma tendência de baixa exigiria um pano de fundo informativo fortemente positivo e estável para o dólar — algo difícil de imaginar sob a atual administração. Até agora, a geopolítica tem sustentado a moeda americana por mais de um mês, mas esse suporte tende a enfraquecer com o tempo. É difícil determinar quando isso ocorrerá, portanto não se pode descartar que o dólar continue a subir por mais uma semana, um mês ou até vários meses.
Caso um conflito global venha a eclodir e as ações militares se expandam para além do Oriente Médio, atingindo o continente eurasiático, o dólar poderá se valorizar de forma significativa e prolongada. Ainda assim, mantenho algum otimismo e espero que esse cenário não se concretize. Nesse caso, o potencial de alta do dólar permanecerá limitado pela duração das tensões e das operações militares no Oriente Médio.
Calendário Econômico dos EUA e do Reino Unido:
- Reino Unido – Variação do PIB do 4º trimestre (06:00 UTC)
- Estados Unidos – Variação das Vagas de Emprego JOLTS (14:00 UTC)
Em 31 de março, o calendário econômico contém duas divulgações, que podem, mais uma vez, ser ofuscadas por eventos geopolíticos. Espera-se que o impacto do pano de fundo informativo no sentimento do mercado na terça-feira seja fraco.
Previsão e dicas para negociar o GBP/USD:
Para a libra, o panorama de longo prazo continua otimista, mas atualmente não há padrões de alta relevantes. A queda do par nas últimas semanas tem sido muito forte devido a uma combinação desfavorável de circunstâncias. Se Donald Trump não tivesse iniciado o conflito no Oriente Médio, provavelmente esse forte crescimento do dólar não teria ocorrido. Acredito que essa queda possa terminar tão inesperadamente quanto começou. No entanto, no momento, a fase de baixa não pode ser considerada encerrada.
No futuro próximo, dois cenários interessantes podem surgir para os traders. O primeiro é uma varredura de liquidez da mínima de 13 de março, seguida pela formação de padrões de alta e, em seguida, sinais. O segundo é a formação de um desequilíbrio de baixa no fechamento de hoje, seguido pelo surgimento de sinais de venda com base nesse padrão.